Aventura

No limiar entre a peça e o estado da arte,
não me lembrei da galeria de telas,
quem dirá dos ossos ou de uma ou outra cela.
Eu via o corredor, o fluxo e a semiótica das eras.

Com um só terço de música, provei
do gosto de dois terços de significado,
e, primitivo, saltei de uma letra a outra
em cipós metassemânticos na selva do meu acaso.

Cheguei ao meio, ultrapassando o sináptico,
coberto de sede e aceso por todos os lados.
Então sentei e, já na espiral do tempo, sorri:
dali em diante, para sempre ficaria molhado.

Com um ás no peito, dei ao coringa o meu abraço,
e assim me livrei do jogo sem qualquer trapaça,
numa epifania diamantina, de um amor sem idade:
caso fosse alado e, nos céus, de longe a avistasse,
até o inferno eu iria, em busca dela — íntima Verdade.

poetry·10 Sep 2026

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