Espelho
Não vejo sombra à luz do meu reflexo.
Meu Sol é negro, material do karma.
E seus raios refletem para mim
tudo de cor, e tudo da alma.
É potencialmente assimétrico — Logo,
o meu contraste vem de fora, eletromagnético.
Ainda visível, precisa ser tensionado, refletido,
e então refratado para além do meu espectro.
Assim me irradia, finalmente, a onda sonora.
Prismática, ela incide pelo único ângulo
que ainda é possível para o meu afeto (aniquilado).
Não é ilusão, é quando a luz vira o som de um passo.
Desse ponto, pouco me importa o prisma,
a cor do cabelo ou a decoração do palácio.
Tudo ainda é vazio como o deserto,
mas eu desci exatamente pelo oásis.
Não há treva que eu não tenha tocado,
meu céu atravessa o maquiavélico.
Pelo contrário, o ódio é pouco.
Eu adoro o meu reflexo.